
- Sócios aprovaram a venda com 90,6% dos votos válidos
- Compromissos somam cerca de R$ 4 bilhões
- Custo da compra pode ficar perto de R$ 1,5 bilhão
A venda de 90% da SAF do Vasco para a Almirante Participações, empresa ligada a Marcos Lamacchia, envolve compromissos que podem chegar a cerca de R$ 4 bilhões, mas esse número não é o preço pago pelas ações. Segundo análise dos documentos publicada neste sábado pelo UOL, a aquisição em si pode ficar perto de R$ 1,5 bilhão. Na sexta-feira, a Assembleia Geral Extraordinária aprovou o negócio por 4.675 votos a favor, 437 contra e 48 abstenções, o equivalente a 90,6% dos votos válidos, e o clube segue com 10% das ações.
A cifra maior soma frentes diferentes. Há R$ 500 milhões em aportes para o futebol ao longo de cinco anos, R$ 120 milhões para o centro de treinamento profissional e R$ 30 milhões para as categorias de base, além das dívidas e da obrigação de cobrir o caixa da SAF. A projeção da negociação prevê déficit anual de cerca de R$ 300 milhões, o que pode chegar a R$ 1,5 bilhão em cinco anos. Só que esse dinheiro fica dentro da própria SAF, e por isso não entra no cálculo do preço de compra.
O custo da aquisição depende principalmente das dívidas que o novo controlador assumirá, estimadas em R$ 1,3 bilhão, parte delas sujeita à Recuperação Judicial e a renegociações tributárias, e do empréstimo de R$ 80 milhões da Crefisa, que será convertido em 10% das ações da nova SAF. Há ainda um valor não divulgado para a 777 Partners, antiga controladora, e ainda não está claro se os recursos para cobrir déficits poderão quitar dívidas, o que inflaria a soma total.
Conselheiros contrários ao negócio questionam a falta de um mecanismo para o Vasco retomar o controle caso o investidor descumpra obrigações. O contrato com a 777 previa instrumentos assim, mas o novo acordo, de acordo com a análise do UOL, não traz cláusula semelhante.
Com informações do Jogada10. Leia a matéria original no Jogada10 →